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A Organização Mundial da Saúde estimou que 1,6 bilhão de pessoas estão acima do peso ideal e mais 400 milhões estão obesas, dados relativos à segunda metade desta década. O açúcar, que tanto inspira poetas em suaves metáforas, se usado sem medida, torna-se um dos maiores responsáveis por boa parte desses números assustadores, não só em relação ao excesso de peso, mas responsável direto por várias doenças.

Segundo o Dr. Marcio Mancini, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e chefe da Liga de Obesidade Infantil do Hospital das Clínicas da FMUSP, em pessoas de peso normal, a quantidade limitada de açúcar diária, corresponde a menos que 30g ou duas colheres de sopa rasas. “Neste caso, não há riscos para a saúde, além das cáries, naturalmente”. No entanto, alerta: “já os indivíduos com sobrepeso, obesidade e história familiar de diabetes estão mais expostos ao desenvolvimento e progressão dessas doenças. Para essas pessoas, a troca do açúcar por um adoçante sem calorias, é uma decisão sensata”.

De sensato passou a sensação e os adoçantes invadiram as prateleiras no início da década de 1980 e, desde então, ocupam cada vez mais espaço. Há pessoas que até aboliram o açúcar da dieta em troca do adoçante. A medida visa evitar ou diminuir a obesidade. Embora a solução para o excesso de peso esteja na mudança de estilo de vida, que inclui uma alimentação saudável, com mais hortaliças, menos frituras e a prática regular de exercícios físicos.

 

O QUE SÃO ADOÇANTES?

O adoçante dietético é produzido com substâncias naturais ou artificiais, que são responsáveis pelo sabor doce. Essas substâncias são chamadas de edulcorantes, e possuem um poder de adoçamento muitas vezes muito maior que o açúcar comum e são recomendados para dietas especiais (diabetes ou emagrecimento). A quantidade de calorias é a característica mais importante quando se compara o açúcar ao adoçante. Cada grama de açúcar fornece 4 kcal, enquanto no adoçante essa quantidade é bem menor ou nula, como o Línea, que usa água como “veículo-carregador”da sucralose, ou seja, zero de caloria. É por essa razão que as pessoas que desejam emagrecer ou que precisam restringir o açúcar na dieta, como os diabéticos, acabam optando pelo adoçante.

“É um tipo de carboidrato absorvido rapidamente pelo organismo”, diz Viviane Vieira, nutricionista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). Já o adoçante, ela explica, “são produzidos artificialmente a partir de diversas matérias-primas, como aminoácidos, produtos sintéticos e derivados da cana, fornecendo poucas calorias ou nenhuma”. A nutricionista clínica Fátima Aiko Bajou, sugere o uso dos adoçantes além das pessoas que necessitam de dietas especiais. Segundo ela, toda pessoa que opte viver de forma mais saudável, pode começar pela substituição do açúcar pelo adoçante. Porém, salienta: “é importante que antes da mudança, o indivíduo procure orientação de um nutricionista ou endocrinologista. Principalmente para as mulheres grávidas, o uso mais recomendado são os adoçantes naturais”.

 

NATURAL X INDUSTRIALIZADO. QUAL É A MELHOR OPÇÃO?

Hoje, com o aumento gradativo de produtos saudáveis nas prateleiras light/diet dos mercados, acabam existindo várias opções de adoçantes, que vão desde os de embalagem prática, bonita e chamativa, até os mais baratos, os que prometem o céu e o paraíso. Com isso fica aquela dúvida crucial: qual deles eu devo escolher? A verdade é: não existe adoçante bom ou ruim; existe o adoçante que melhor se adapta ao seu metabolismo.

Antes de tudo, tenha em mente o que você realmente precisa: perder peso ou mantê-lo? Se você optou pela segunda opção, não há nada que a impeça de continuar utilizando o açúcar, desde que de forma moderada, e nas quantidades máximas permitidas no dia, conforme especificado pelo Dr. Marcio Mancini. Mas, se você estiver mesmo querendo perder peso, e manter uma vida mais saudável, então troque o açúcar pelo adoçante.

Atualmente, o único composto natural (de origem vegetal) é o Steviosideo, também conhecido como Stévia. Há também os sintéticos mais populares, como: Sacarina, Ciclamato de Sódio, Aspartame e Sucralose. Cada um desses apresenta características próprias. A Sacarina não apresenta calorias, e possui um poder adoçante 300 vezes superior ao da sacarose e é muito utilizada em alimentos e bebidas industrializados.

O Ciclamato, por sua vez, possui um valor apenas 50 vezes maior, e, apesar de ser proibido em muitos países, como Estados Unidos, sua maior utilização acontece na indústria de farmacêuticos. O Aspartame é 220 vezes mais adoçante que o açúcar, e graças ao seu elevado poder adoçante, pode ser usado em pequenas quantidades. Já a Sucralose, que é cerca de 600 vezes mais doce do que a sacarose é muito estável a temperaturas elevadas, podendo ser utilizada em produtos esterilizados, UHT, gelatinas, compotas de frutas, adoçantes de mesas, entre outros.

“Com exceção do Ciclamato, que mais facilmente pode ter a sua dose máxima diária atingida, os demais adoçantes apresentam limites que dificilmente são atingíveis. Por isso, é importante ler os rótulos com as informações sobre a composição, variar os produtos e procurar usar uma diversidade de adoçantes”, complementa Mancini.

Ao usar um adoçante, verifique a lista de edulcorantes na fórmula. Alguns não podem ir ao fogo, pois alteram a estrutura quando em altas temperaturas. Outros não devem ser consumidos por quem tem diabetes, pois aumentam o nível glicêmico no sangue. Hipertensos não devem consumir grandes quantidades de sacarina e de ciclamato de sódio, pois o sódio presente nestas substâncias pode aumentar a pressão arterial. E o aspartame deve ser evitado por quem sofre de fenilcetonúria.

A frutose também requer atenção: o consumo em excesso pode causar aumento de triglicerídeos e seu uso prolongado dificulta a absorção de cobre pelo organismo. Por isso, adoce, na medida certa.

Texto retirado da Revista Curves – edição nº 2

 

 

 

  • Francisca Machado 17/08/2015 00:07

    Adoro todas as dicas da nutricionista.

    Responder

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