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Os hormônios não são drogas, mas são tão poderosos quanto, e talvez até mais. A neuropsiquiatra e escritora do livro “Como as Mulheres Pensam”, Louann Brizendine*, ajuda as mulheres a entender o amplo papel que os hormônios (substâncias químicas produzidas no corpo que controlam a atividade de certas glândulas e órgãos) desempenham em nossas vidas. Ela escreve:

“Nossos hormônios podem determinar o que o cérebro está interessado em fazer. Ajudam a guiar a nutrição e os comportamentos social, sexual e agressivo. Podem fazer com que uma pessoa seja falante, namoradeira, festeira, agradecida, dedicada aos filhos, carinhosa, empática, competitiva e sexualmente ativa”.

Eles afetam tudo o que faz com que sejamos nós mesmas. Ou quase. Entenda o porquê.

“Os circuitos do cérebro feminino são estabelecidos durante o desenvolvimento embrionário. Depois disso, do nascimento até o primeiro ano de vida, os ovários bombardeiam em nosso organismo grandes quantidades de estrogênio, que terminarão o desenvolvimento do cérebro feminino”, diz a Dra. Louann. “Os hormônios são como Michelangelo, são escultores; o cérebro é o mármore. É o escultor quem cria o que eu chamo de ‘realidade neurológica’ de uma mulher”.

Em outras palavras, o cérebro feminino é profundamente afetado pelos hormônios – ou seja, a influência de estrogênio, progesterona e ocitocina e da nossa relativa falta de testosterona (homens produzem cerca de 20 a 30 vezes mais testosterona que mulheres e, como resultado, são 20 a 30 vezes mais agressivos – maior diferencial de comportamento entre homens e mulheres) literalmente cria o pano de fundo para realidade de uma mulher. Genes + cérebro + hormônios = mulher.

“Cada estado hormonal – infância, pré-adolescência, adolescência, maternidade e menopausa – atuam como fertilizantes para diferentes conexões neurológicas que são responsáveis por novos pensamentos, emoções e interesses”, complementa a especialista. “Por causa das flutuações, que começam aos três meses de vida e duram até depois da menopausa, a realidade neurológica da mulher é como o clima, mudando constantemente e difícil de prever”.

Distúrbios de humor relacionados aos hormônios, como depressão pós-parto e oscilação de humor e depressão em mulheres na perimenopausa (anos anteriores à menopausa) foram todos mensurados e catalogados e até mesmo vistos pelos cientistas, através de imagens cerebrais de alta tecnologia. De acordo com Eydie Moses-Kolko**, especialista em fenômenos cerebrais relacionados aos hormônios em mulheres, 15% das mulheres enfrentarão uma depressão, profunda ou leve, no período de três meses após o parto.

Outros dois estudos médicos recentes indicam que o período da perimenopausa aumenta de duas a cinco vezes o risco de sintomas depressivos e até duas vezes o diagnóstico de depressão profunda. Também existem algumas pesquisas que indicam que, mulheres que têm ou tiveram depressão pós-parto, estão mais aptas a ter depressão nos antes anteriores à menopausa; talvez porque são especialmente mais sensíveis às flutuações dramáticas que ocorrem com o nível hormonal.

Essas flutuações agressivas deprimem nosso humor, afetam nosso comportamento e até prejudicam o nosso sono. O que é mais surpreendente é que, até mesmo os menores picos e quedas dos níveis hormonais que ocorrem durante o curso normal do ciclo menstrual, afetam nosso comportamento de maneiras específicas. Por exemplo, o estrogênio e a testosterona atingem seus picos durante a ovulação ou imediatamente antes dela. Isso significa que, nesse período, estamos mais comunicativas e receptivas à busca pelo sexo. “Mulheres ficam mais abertas à paquera logo antes da ovulação”, diz Dra. Louann. “Neste período, a mulher está mais disposta a aceitar um convite para sair, por exemplo. Esses comportamentos parecem ser racionais, mas, na verdade, são dirigidos biologicamente.”

Isso nos leva de volta à questão: o que os hormônios fazem com nosso cérebro? A resposta: TUDO. Somos mulheres por causa deles, e não somente porque temos vaginas. É o estrogênio em nossos cérebros que nos faz falar, interagir em pares, ficar emocionadas e estressadas e, até mesmo, ser mais fixadas na aparência do que os homens (porque nos preocupamos com o que as outras pessoas pensam). A dopamina e a ocitona que inundam nosso sistema quando falamos e nos conectamos com as pessoas, motivam nosso cérebro a procurar essas ligações íntimas, para continuar a criar relacionamentos, proteger nossos filhos e garantir a sobrevivência das espécies. Juntas.

Essa é a “realidade neurológica” da mulher. Isso é o cérebro feminino, inundado de hormônios. Não há metáforas. Especialistas pesquisaram, estudaram e até viram isso.

Uma realidade de mudança

As técnicas de imagem cerebral de alta tecnologia mudaram radicalmente a forma como os cientistas enxergam o comportamento. Agora, é possível tirar fotos de nossos cérebros enquanto estamos realizando tarefas e literalmente ver, em tempo real, como as atividades engajam o cérebro. Essas pesquisas determinaram avanços em aspectos não somente científicos como também sociológicos.

Exames de ressonância magnética de alta potência (RM) revelaram que o cérebro da mulher trabalha em muito mais áreas que o do homem quando estamos observando o rosto de uma pessoa e tentando avaliar seu estado emocional. “Nós prestamos muitos mais atenção às nuances emocionais que os homens”, diz Dra. Louann. “Existe um motivo para isso: o único modo de as espécies sobreviverem é a capacidade do cérebro feminino de proteger os bebês, seres indefesos e incapazes de comunicar-se verbalmente, através da leitura de suas sugestões emocionais”.

Quando os ciclos menstruais e ovulatórios são encerrados, isso pode significar, para algumas mulheres, um momento de liberdade e autoafirmação, em que elas assumem a ideia de que seus cérebros são especiais e únicos. Talvez porque, nesse período, a mulher está livre de preocupações, como filhos, anticoncepcionais, TPM e cólicas, mas ainda está jovem o suficiente para se sentir viva. Por outro lado, para Dra. Louann, esse período também é caracterizado por uma mudança da realidade neurológica da mulher, ao menos em parte.

Em outras palavras, depois da menopausa, o cérebro feminino começa a se parecer mais com o masculino. “Algumas mulheres dizem até sentem um alívio por estarem livres”, comenta a especialista. “Outras, sentem falta de algo indescritível, inominável, mas, depois que passam a fazer reposição hormonal, voltam a se sentir como eram antes”. Em outras palavras, femininas.

Nenhuma reação é certa ou errada, e a mudança não é boa ou ruim. É somente o que é. São hormônios, e isso é tudo em nossas vidas.

 

* Louann Brizendine, MD, é uma neuropsiquiatra da Universidade da Califórnia (EUA), fundadora da Clínica do Humor e Hormônio da Mulher e escritora do livro The Female Brain (Como as Mulheres Pensam, da Campus/Elsevier).

** Eydie Moses-Kolko, MD, é professor assistente de psiquiatria na Universidade de Pitsburgo Escola de Medicina, EUA, e especialista em fenômenos cerebrais femininos relacionados aos hormônios.

Texto escrito por Megan Othersen Gorman, editora contribuinte da Diane Magazine.
Texto traduzido da Diane Magazine, revista oficial da Curves International, edição de outono/2007.

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